Esclerose múltipla: tratamento e expectativa de vida

Tratamento para recaídas de esclerose múltipla (EM)

Atualmente não existe nenhuma cura definitiva porque esta doença não é curável, mas o médico pode tratar os sintomas.
Se os sintomas são causados por uma recaída, é possível tomar altas doses de cortisona por três a cinco dias (metilprednisolona).
O medicamento é administrado:

  • Por via oral (comprimidos),
  • Por via intravenosa.

O tratamento é feito no hospital ou em casa.

Os especialistas não sabem porque o cortisona acelera a recuperação após uma recaída: acredita-se que estes medicamentos suprimem o sistema imunológico, portanto os anticorpos não atacam a mielina no sistema nervoso central.
A cortisona é útil para ajudar a recuperação após uma recaída, mas não altera o resultado da recaída.
Os esteróides (drogas que contêm cortisona):

  • Não alteram o decurso da doença,
  • Não podem evitar futuras recidivas.

O cortisona provoca efeitos colaterais de longo prazo incluindo a osteoporose e o aumento de peso, portanto não deve ser administrado por mais de três semanas consecutivas.
Alguns estudos mostram que a vitamina D pode bloquear a progressão da doença para o cérebro.

 

Tratamento para os sintomas da esclerose múltipla

A EM provoca muitos sinais, alguns leves e outros graves.
Existem tratamentos que aliviam os sintomas.
Alguns sintomas são tratados com mais facilidade do que outros.

Poblemas visuais
A esclerose múltipla causa problemas visuais.
Geralmente os distúrbios visuais melhoram espontaneamente dentro de algumas semanas.
Se os sintomas são graves, o médico prescreve os corticoides para acelerar a recuperação.
O médico prescreve medicamentos como gabapentina (Starck et al. – 2010), baclofeno (Serra et al. – 2018) e o clonazepam (Stahl et al. – 2002) em caso de problemas com o movimento dos olhos (nistagmo).

Dor nos nervos, sistema nervoso

© fotolia.com

Espasticidades e espasmos musculares
A espasticidade e os espasmos musculares melhoram com a fisioterapia. Os movimentos de alongamento evitam a espasticidade (rigidez).
Um fisioterapista trata os espasmos muscular e a espasticidade quando a amplitude de movimento é reduzida.
Se os espasmos musculares são graves, o médico pode receitar um medicamento que relaxa os músculos (relaxante muscular) e reduz os espasmos.

Os principios ativos são o baclofeno ou a gabapentina, embora haja medicamentos alternativos como Tizanidina (Sirdalud) (Lapierre et al. – 1987), diazepam e dantrolene.
Todos estes medicamentos têm efeitos colaterais:

Se aparecem os efeitos colaterais é necessário discutir isso com o médico ou o fisioterapeuta.
Os medicamentos e a fisioterapia podem não ser suficientes para controlar a espasticidade e os espasmos musculares.
O médico pode recomendar exercícios com cordas e pesos ou infiltração de medicamentos no liquído espinhal (ao redor da medula)

Entre as novidades (mais recentes), existem o uso de cannabis (maconha) para tratar a espasticidade (Corey-Bloom et al. – 2012).
O médico pode prescrever alguns comprimidos (Malfitano et al. – 2008) ou spray (Collin et al. – 2007).

Dor neuropática
A dor neuropática é causada pelos danos nos nervos, é aguda, latejante e provoca uma sensação de ardência na pele.
Este tipo de dor é tratado com gabapentina ou com medicamentos como a carbamazepina (Espir et al. – 1970) e a amitriptilina (Pöllmann et al. – 2008).


Dor musculoesquelética
A EM provoca estresse e tensão nos músculos do corpo.
Um fisioterapeuta pode dar conselhos úteis sobre como prevenir a dor músculoesquelética com exercícios e posturas.
Se a dor for muito forte, o médico prescreve analgésicos (reduzem a dor).
É possível fazer um tratamento com um dispositivo que estimula as terminações nervosas (TENS).

Problemas de mobilidade
Os problemas de mobilidade são a consequência de espasmos musculares, fraqueza e espasticidade.
Eles também podem ser causados problemas de equilíbrio ou tontura.

Os tratamentos mais adequados para dificuldades de movimento são:

  • Um programa de exercícios criado por um fisioterapista,
  • Reabilitação vestibular: exercícios específicos para problemas de equilíbrio,
  • Drogas para vertigens ou tremores,
  • Ajudas para caminhar, como uma bengala canadense ou uma cadeira de rodas.

O médico pode prescrever injeções de toxina botulínica. Este medicamento relaxa os músculos.

Distúrbios cognitivos (dificuldade de concentração e memória fraca)
Um psicólogo avalia os problemas e oferece a reabilitação cognitiva para melhorar a capacidade do paciente.

Problemas emocionais
Quando ocorrem distúrbios emocionais (tais como rir ou chorar sem motivo), um psicólogo tem que avaliar se são causados pela EM.
O médico ou o neurologista pode receitar antidepressivos ou benzodiazepínicos para tratar a depressão e a ansiedade.
Os psicólogos usam a terapia cognitivo-comportamental (TCC) para tratar a depressão.

Fadiga e cansaço
Muitas pessoas com EM sofrem de fadiga.
As causas mais freqüentes são as seguintes:

  • Efeitos colaterais de medicamentos
  • Pessíma alimentação.

Se o cansaço é causado pela EM, o médico pode prescrever a Amantadina (Generali et al. – 2014).

Problemas na bexiga
No caso de bexiga hiperativa, o médico pode prescrever um medicamento anti-
colinérgico como o oxibutinina (Gajewski et al. – 1987) ou a tolterodina (Ethans et al. – 2004).
Isso reduz a vontade de urinar. Se esses medicamentos não funcionam é necessário tomar um medicamento mais recente: o mirabegron.
A necessidade de urinar com frequência durante a noite pode ser tratada com um medicamento: a desmopressina.

Com a retenção da bexiga (não completamente vazia) é necessário inserir um cateter na bexiga.
O cateter é um pequeno tubo que se encaixa na bexiga e drena a urina em excesso.
Para tratar a incontinência é necessário consultar um urologista.

Problemas intestinais
A prisão de ventre é tratada mudando a alimentação ou tomando laxantes.
A prisão de ventre mais grave se trata com supositórios ou clisteres. O clister tem um medicamento líquido que promove a evacuação das fezes.
A incontinência intestinal é tratada com medicamentos contra a diarréia ou fazendo exercícios para fortalecer:

  • O assoalho pélvico (de Kegel),
  • Os músculos retais.

Qual é a expectativa de vida? O prognóstico para pacientes de esclerose múltipla

Os pacientes podem viver quase normalmente por muitos anos em cada uma destas fases ou chegar rapidamente à incapacidade.

  • Cerca de 25% dos pacientes tem uma forma “não incapacitante” de EM.
  • Cerca de 5% dos pacientes tem freqüentemente recaídas sem cura.
  • Cerca de 15% dos pacientes tornam-se incapacitados em um curto período de tempo.
  • Cerca de 20% dos casos são progressivos do início.

A expectativa de vida de uma pessoa com esclerose múltipla não é menos de outras pessoas.

Gravidez
As mulheres com esclerose múltipla podem engravidar, dar à luz com anestesia peridural e amamentar.
As crianças têm um risco levemente maior do que outros de desenvolver a doença.
A taxa de recaída é reduzida durante a gravidez, mas aumenta após o parto.

 

Perspectivas para doentes com esclerose múltipla

O prognóstico para a longevidade é bom exceto no caso de EM primária progressiva.
Os pacientes têm problemas que pioram a qualidade de vida.
A UMMC relata alarmantes estatísticas sobre a taxa de suicídio entre pessoas com esclerose múltipla.
De acordo com o UMMC, aproximadamente dois-terços de pessoas com EM andam sem cadeira de rodas depois de vinte anos após o diagnóstico.
Algumas pessoas precisam de muletas ou bengalas para andar.
Alguns usam uma cadeira de rodas para viagens longas.
A EM não tratada causa problemas de mobilidade em mais de 30% dos pacientes.

Existem duas situações extremas na esclerose múltipla.

  • A primeira é uma síndrome “benigna” em que os pacientes têm inúmeras lesões. São pequenas e podem passar décadas entre um ataque e outro.
  • A segunda situação é uma doenças muito séria conhecida como “variante da esclerose múltipla de Marburg” em que os sintomas são progressivos até a morte em 1/2 anos.

Leia também:

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